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Rebelião em presídio de Governador Valadares teve dois mortos

Uma rebelião que aconteceu no sábado, 6, no Presídio de Governador Valadares, que durou quase 24 horas e abrangeu um total de 600 detentos, com dois mortos e cerca de 10 feridos durante o motim. Os detentos foram transferidos para os presídios de Juiz de Fora, Ipatinga e Teófilo Otoni.

Uma nota da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), cujo teor está abaixo foi divulgada, na segunda-feira, 8 de junho.

“No início da manhã de sábado, 6 de junho, no início do horário de visitas, presos dos blocos B e D do presídio de Governador Valadares, MG, iniciaram um motim com a quebra das grades das celas. Havia visitas num dos pátios (são dois).

A situação evoluiu para rebelião com a tomada de outros pavilhões (são quatro) e da área administrativa que estão sendo destruídos pelos rebelados. A direção do presídio conseguiu retirar a tempo todas as armas existentes e, aparentemente, não há servidores da Seds dentro das muralhas. Estão no local o grupo de intervenção rápida (Gir) do próprio presídio e a polícia militar.

O presídio de Governador Valadares estava com aproximadamente 800 presos e tem capacidade para 290. Por volta das 12h, um preso aproximou-se e disse que haveria disposição dos rebelados de negociar condições para o fim da rebelião. O major Fausto, do grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar de Minas Gerais está à frente das negociações no local.

Às 13h, já estavam na área externa do presídio integrantes do Gir de Manhuaçu e de Teófilo Otoni, além do Batalhão de Choque da PM e o Gate, que garantiram a contenção junto às muralhas. Agentes do comando de Operações Especiais (Cope) do sistema prisional, sediados em Belo Horizonte, estão a caminho para agir em caso de necessidade de transferências de presos.

Também por volta das 13h, o juiz de Execuções Penais de Governador Valadares, Tiago Counagno Cabral chegou ao presídio. Ele enviou aos rebelados a promessa de analisar a situação penal dos presos durante toda a tarde deste sábado caso interrompessem o quebra-quebra na unidade prisional. Mais cedo, os presos haviam reivindicado a presença do juiz como condição para continuarem negociando o fim da rebelião.

Aproximadamente às 13h30, os presos concordaram em abrir caminho para que o Corpo de Bombeiros começasse a combater o fogo dentro do presídio. Os rebelados estão também liberando aos poucos os visitantes que permaneciam no interior da unidade.

Até as 14h, havia notícia de um preso ferido sem gravidade numa das pernas. Não há agentes de segurança penitenciários feridos. Todos os acessos ao presídio estão bloqueados pelas forças de segurança pública e as negociações continuam.

Entre 15h30 e 16h, presos rebelados atiraram do telhado da unidade cinco detentos que estavam em área de isolamento, o chamado seguro. Eles foram encaminhados a um hospital e não correm risco de morte. Não há constatação de mortes de outros presos, por enquanto.

Aproximadamente às 6h30 deste domingo, 7 de junho, presos começaram a se render. Levantavam aos mãos e, aos poucos, iam sendo algemados e embarcados em veículos do sistema prisional de minas gerais para transferência. às 7h, cerca de 100 detentos já estavam nessa condição.

Foram confirmadas até as 8h15 duas mortes de presos. os corpos estão no chão, fora da carceragem, dentro do perímetro interno do presídio. Há notícias de outros mortos por causa do fogo, mas a situação ainda não foi constatada pela equipe da Seds que está no local.

Pouco depois das 8h30, decolou uma aeronave de Belo Horizonte para Governador Valadares, com o secretário de Estado de Defesa Social, Bernardo Santana, e o subsecretário de Administração Prisional, Antônio de Padova Marchi Júnior.

Vistoria realizada a partir de 10h no interior do presídio não encontrou mais mortos, além dos dois já informados. Não se verificou violência sexual. Há várias celas intactas e outras com avarias nas portas. Não foram queimadas.

Partes estruturais do presídio, como pilares e vigas, não foram abaladas. Portanto, uma reforma da unidade para que volte a ter a capacidade original de custódia de presos não será de grande custo financeiro nem demandará prazo longo. As informações foram repassadas ao secretário Bernardo Santana, que está em Governador Valadares coordenando os trabalhos da equipe da Seds”.

Foto da capa: reprodução DRD/Facebook

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