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Os perigos das fórmulas para emagrecimento

O mercado diet ou light é um dos mais rentáveis. Empresas e fabricantes se digladiam em disputas cada vez mais acirradas em busca de novos produtos. Logo, cada vez que um novo nicho de mercado é descoberto, todos vão atrás.

Há de tudo neste segmento, onde as pessoas que engordaram ou têm medo de uns quilinhos a mais, gastam fortunas a cada ano em busca do bem estar físico, que acaba por beneficiar o emocional também. Se por um lado, há alimentos e medicamentos sérios e de eficácia comprovada, por outro há os de resultado duvidoso e que por fim acarreta problemas em vez das prometidas soluções.

Tempos atrás, muitos brasileiros que vivem nos Estados Unidos tiveram acesso a uma fórmula para emagrecer cujos preços variavam entre US$ 140 e US$ 230, sem se dar conta do risco que corriam ao usar um produto sem a aprovação das autoridades sanitárias no Brasil.

O remédio era trazido para os Estados Unidos de forma incorreta e totalmente fora da lei, muitas vezes até sem a embalagem.

Não existe fórmula mágica que proporcione um emagrecimento rápido e seguro sem deixar seqüelas em quem usa qualquer tipo de medicamento sem a devida prescrição médica e clínica.

Remédios e fórmulas para emagrecer vendem milhões de dólares todos os anos, e as pessoas que querem perder peso não se dão conta dos perigos que correm. Há alguns meses atrás, a brasileira Fabiana se deu conta de que após o nascimento do filho Igor ficou com dois quilos acima do peso que tinha antes da gravidez e não havia como perdê-los de jeito nenhum, por mais que ela se esforçasse. Um dia o seu marido chamou-a de “gordinha” o que a deixou com raiva dele por alguns dias.

Sua irmã estava de férias em Belo Horizonte e ela pediu que trouxesse um remédio para emagrecer, que lhe fora indicado por uma amiga da irmã como infalível e que a faria perder os quilos a mais.

Para se garantir, Fabiana pediu que a irmã trouxesse logo umas quatro caixas do tal remédio “milagroso”, o que lhe custou cerca de R$ 140. Fabiana tomou os remédios e sentiu a boca seca, uma vontade imensa de urinar a toda hora, mau humor, instabilidade emocional, irritabilidade e dias depois foi parar no hospital com palpitações e problemas renais.

Disposta a descobrir o que continha a fórmula das pílulas que a fizeram ficar doente pediu para que uma prima comprasse o remédio lá no Brasil e mandasse analisar a fórmula. Tão logo chegou o resultado, Fabiana se deu conta da furada em que se meteu pois os remédio continha entre outras substâncias, chlordiazepoxide HCl – ingrediente ativo do Librium e fluoxetine HCl – ingrediente ativo do anti-depressivo Prozac. O Librium é usado para redução da ansiedade e também para controlar os sintomas de abstinência no tratamento de alcoolismo. Eventualmente o Librium pode causar dependência e provocar sonolência, enjôo e causar limitações na capacidade de dirigir.

Já o fluoxetine HCl é um antidepressivo utilizado no combate de distúrbios obsessivo-compulsivo, pânico e bulimia, podendo causar sérios efeitos colaterais. A fórmula tinha também diurético e laxante.

As duas substâncias contém Fenproporex, um estimulante cuja venda não foi aprovada nos Estados Unidos, pois de acordo a Food and Drugs Administration – FDA, a substância se transforma em anfetamina no organismo e já foi encontrada em exames de urina de pessoas que tomaram o remédio.

A nutricionista Ana Paula Ornelas que é afiliada a American Dietetic Association, afirma que “Existe uma classificação para os remédios de emagrecer, dessa forma de acordo com a sua composição variam os problemas de saúde que eles podem causar. Os mais utilizados são os anorexígenos que tem por principal função a inibição do apetite. Com menos apetite o indivíduo tem um cardápio desbalanceado, podendo desenvolver a longo prazo deficiência de potássio, ferro, cálcio, vitaminas, bem como desidratação e desnutrição. É válido ressaltar que quando o organismo sofre privações de nutrientes seja por (dificuldade econômica, pílulas emagrecedoras, ou até mesmo uma gripe) ele possuí mecanismos metabólicos que atuaram no corpo após a carência nutricional cessar. Um desses mecanismos é um aumento no apetite. Por isso indivíduos que usam estes remédios na sua maioria sempre ganham o peso perdido e algo mais quando param de usá-lo. Além desses efeitos o indivíduo pode também apresentar insônia, boca ressecada, nervosismo, constipação, falta de concentração, fraqueza generalizada, ansiedade, taquicardia, disfunção na tireóide, disfunção da pressão arterial. O seu uso contínuo torna as pessoas deprimidas, irritadas, ansiosas, e o que sempre observo na prática é que muitos dos pacientes que fizeram uso prolongado dessas substâncias possuem uma dificuldade em acreditar que é possível emagrecer e manter um peso comendo uma dieta equilibrada em quantidade e qualidade, querem sempre comerem poucas calorias. Com o intuito de amenizar os efeitos colaterais destes remédios de emagrecer surgem as fórmulas emagrecedoras ou também chamados de coquetéis emagrecedores que geralmente possuem em sua constituição um moderador de apetite, um diurético, um laxante, hormônio da tireóide e ainda podem ter um antidepressivo ou um tranqüilizante”, diz Ana Paula.

Conselhos úteis
– Não tome qualquer tipo de medicamento sem a devida prescrição médica
– Não existe remédio para emagrecer que não tenha efeitos colaterais
– A dieta que serve para seu amigo ou amiga, não serve para você
– Cada organismo tem uma necessidade diferente
– Consulte sempre um especialista para ter a devida orientação
– Na dúvida, não use ou tome qualquer tipo de remédio para emagrecer

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