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ONU: Ban declara que “horizonte da esperança é sombrio”

Edgard Júnior, da Rádio ONU em New York

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou nesta quarta-feira na abertura da 69ª Assembleia Geral que o “horizonte da esperança é sombrio”.
Ban disse que este tem sido um ano terrível para os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas. Indo desde o uso de bombas de barris até decapitações, da fome deliberada de civis a ataques a hospitais, abrigos da ONU e comboios de ajuda.
Ajuda
Segundo ele, os direitos humanos e o Estado de Direito estão sob ataque.
Para Ban, “desde o fim da Segunda Guerra Mundial nunca houve tantos refugiados, deslocados internos e pessoas buscando asilo, assim como, até agora, as Nações Unidas nunca receberam tantos pedidos de ajuda”.
O secretário-geral declarou que “a diplomacia está na defensiva, minada pelos que acreditam na violência. A diversidade está sob ataque de extremistas que insistem que seu caminho é o único e o desarmamento é visto como um sonho distante, sabotado por aqueles que lucram com uma guerra perpétua”.
Ban disse que depois da tragédia em Gaza, palestinos e israelenses parecem mais polarizados do que nunca. Ele afirmou que se a comunidade internacional não salvar a solução da criação de dois Estados independentes, restará apenas uma situação de hostilidade permanente na região.
Iraque e Síria
O chefe da ONU declarou que no Iraque e na Síria, todos estão vendo novos níveis de barbaridades a cada dia com profundos efeitos por toda a região.
Ban disse que líderes muçulmanos por todo o mundo já disseram que não há nada de islâmico sobre as organizações terroristas que estão agindo na região.
Segundo ele, os grupos extremistas representam uma clara ameaça à paz e à segurança internacionais que exige uma resposta multifacetada.
O secretário-geral declarou que é necessária uma ação decisiva para acabar com as atrocidades, e uma discussão franca sobre suas causas.
Ele disse que as fragilidades dos Estados nunca foram tão aparentes, alguns estão cercados de corrupção e outros implementaram políticas de exclusão que levaram as vítimas ao ódio e à violência.
Segundo Ban, os Estados devem assumir a responsabilidade de governar para todas as pessoas.
O chefe da ONU afirmou que na Ucrânia a situação continua volátil.
África
Já no Sudão do Sul, a luta por poder político matou milhares de pessoas e expôs milhões a ameaça da fome. A República Centro-Africana está quebrada e traumatizada.
Ban declarou que o Mali e a região do Sahel continuam sofrendo com insurgência, terrorismo, tráfico de drogas e crime organizado.
Na Somália, ele explicou que uma coalisão de países africanos combate o grupo terrorista Al-Shabab.
Na Nigéria, os assassinatos cometidos pelo grupo Boko Haram ganharam força, com profundos impactos sobre mulheres e meninas.
Conselho de segurança
Ban disse que a união do Conselho de Segurança é crucial. Ele explicou que quando o conselho age como um, os resultados surgem. E deu como exemplos a eliminação do programa de armas químicas da Síria, o acordo sobre operações de paz na República Centro-Africana e o apoio ao processo de paz na região dos Grande Lagos, na África.
Ao mesmo tempo, o chefe da ONU disse que a desunião sobre a Síria resultou num grave sofrimento humano e perda de credibilidade do próprio Conselho.
O secretário-geral afirmou que a comunidade internacional precisa fazer muito mais para antecipar os problemas e alcançar um consenso político antecipadamente.

Texto e foto usado com as devidas permissões. Foto: ONU/Mark Garten

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