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Morre o colunista social Wolfgang (Lucio) Tomich

Morreu na segunda-feira, 14, em Framingham, o colunista social do Brazilian Times, Wolfgang Tomich, 55, anos, que escreveu desde 1994 como titular o ‘Colunista das Estrelas’. Tomich fez aniversário no sábado, 12, junto com amigos e família. Deixa mãe, irmãos e sobrinhos.

“A importância do Tomich foi grande porque a coluna social que ele escrevia, trazia informações políticas, sociais e econômicas, ele literalmente vestiu a camisa do jornal e poderia escrever para outros veículos, mas sempre optou por ficar com a gente. Ele era apegado ao BT e sinto orgulho disto e sempre foi uma pessoa de confiança. Lamento a sua morte precoce’, disse Edirson Paiva, publisher do BT à reportagem da Rede Abr.

O corpo de Tomich será cremado e não há informações acerca da cerimônia fúnebre e do velório e tão logo estejam disponíveis este post será atualizado.

Respeitado e querido por todos, principalmente os que estão envolvidos com o show business a sua morte é lamentada nas redes sociais. Tomich fez história no colunismo social na imprensa brasileira nos Estados Unidos.

A reportagem a seguir foi publicada pelo BT na edição de 13 de março de 2011, por ocasião do 50º aniversário de Tomich. A reportagem é de Murilo Silva.

Tomich – 50 anos de muita história com a comunidade
“Prefiro viver dez anos a mil do que mil anos a dez”, atribuída a Raul Seixas, esta frase cai como uma luva na vida do colunista social Wolfgang Tomich, que com coragem, deixou a vida acontecer e fez o que muitos tinham vontade de fazer, sem convenções sociais ou medo de ser criticado por isso. Começo quase igual ao de todos Como quase todos os brasileiros que vieram para os Estados Unidos há mais de 30 anos, ele nasceu no interior de Minas Gerais, na pequena cidade de Nanuque, e naquela época foi registrado com o nome de Lúcio Drago Tomich, que ele mudaria para Wolfgang Tomich quando da aquisição da cidadania americana anos mais tarde, em homenagem ao pai que perdeu aos nove anos de idade. Seguindo a história de quase todas as famílias imigrantes, ele ficou com os avós enquanto sua mãe vinha tentar o “sonho americano”. Em 1978, sua mãe finalmente foi buscá-lo no Brasil, e aos 17 anos de idade, ele foi cursar a Madison Park High School em Boston. Mas foi o trabalho na rede Hilton de hotéis que começou a mudar a vida de Tomich. Aproveitando as facilidades de viajar dos funcionários da rede, ele foi para a Europa e se esbaldou no velho continente, percorrendo quase trinta países e se identificando com a então louca Holanda, onde tudo era permitido. O clima de liberdade do país das Tulipas, com os tempos modernos vividos pela juventude nos anos 80, teve forte influência sobre Tomich, e ele voltou aos Estados Unidos disposto a se tornar um “bon vivant” convicto. “Circulo no meio dos artistas como se eu estivesse em minha cozinha, somos iguais, e eles gostam deste tratamento sem afetação” No lugar certo na hora certa Com as facilidades da América naquela época, o ainda desconhecido Tomich, pegou a administração de um estacionamento, junto com Greg d’Andrea, da mais famosa boate de Boston, e este foi o divisor de águas na vida dele, pois de um lado o colocava com muito dinheiro no bolso, e por outro o colocava em contato com o mundo da alta sociedade, tanto americana quanto brasileira, já que a boate era o destino de muitos artistas e socialites brasileiras que vinham à Boston. Nesta época, Tomich relembra que conheceu muito bem, a hoje famosa atriz global, Guilermina Guinle e depois seu marido Fábio Júnior. Na porta da boate, Tomich era “o cara” que dava as cartas, aquele que todo mundo queria conhecer, o que sabia tudo que estava acontecendo, e muito mais importante, “quem” estava acontecendo. Com sua espontânea simpatia para cativar e dinheiro no bolso para acompanhar, Tomich se sentia mais do que à vontade ao lado das celebridades, e no mundo do Jet Set, a farra corria solta. “Éramos todos muito safados”, relembra Tomich. Sexo, drogas e rock’n roll Os Rolling Stones davam o tom da juventude, e nem a perda de um de seus integrantes para as drogas freava os ímpetos de outros que seguiram o caminho sem volta. Janis Joplin, Jimi Hendrix e outros famosos do rock’n roll, longe de alertarem para o perigo, aproximavam o público da perigosa combinação de drogas e rock, que não era exclusiva dos artistas, mas de quase qualquer um que quisesse contestar a sociedade considerada “careta” naquela época. “Minha vida foi tão louca e badalada que não deu tempo de ter alguém que realmente marcasse o coração” Neste ambiente e com tudo contribuindo, é claro que Tomich passou a participar da vida de muitas pessoas conhecidas e influentes, e do mundo liberal dos artistas. A bebida, em grande quantidades e de variados estilos, estava sempre presente, e era um fator de agregação social, o copo na mão era a marca registrada daquele mundo naquela época. Do álcool para as drogas a distância era pouca e Tomich experimentou as chamadas “drogas leves”, mas do que ele gostava mesmo era da bebida, que continua sua companheira inseparável até os dias de hoje. Fugindo dos estereótipos, Tomich achava ser heterosexual meio bobo e ser gay difícil. Rótulos não eram para ele, que foi bissexual a maior parte da sua vida, mas sem nenhum relacionamento que o marcasse. O sexo livre era parte do pacote, e daí o “tô dentro” não era difícil para ele. Mas Tomich considera que sua vida foi muito mais Rock do que sexo e drogas. Virando o “Colunista das Estrelas” “Quando minha mãe e o Carlos montaram o restaurante Ipanema, eu me mudei para Framingham e começei a ter mais contato com a comunidade brasileira” afirma o mineiro. Tomich ia ao Brazilian Times fazer a promoção dos shows e eventos do restaurante, e um dia, por acaso, Alaim de Paula o indicou para ser colunista social, pois segundo ele ”ali estava um cara que sabia de tudo que estava acontecendo de importante”. Guiado à função, Tomich não decepcionou e começou a escrever com estilo próprio, misturando integrantes da realeza do Palácio de Buckingham, com o mecânico brasileiro de Framingham na mesma página, uma loucura organizada que mostra gente de todos os tipos, e que agradou a comunidade e o transformou em celebridade. “Minha coluna é super doida”, resume Tomich. Ele só não sabe de onde veio o rótulo de “Colunista das Estrelas”, e nem quem foi que sugeriu o nome da coluna social mais lida pelos brasileiros na América. Mas o estigma ficou, e agora faz parte da vida dele, e claro, dos leitores. Estou sempre no meio Convidado a recepcionar os principais artístas brasileiros que vem aos EUA, Tomich teve contato com inúmeras estrelas brasileiras de primeira grandeza, mas destaca três em especial: O cantor Daniel por fazer questão de ter sempre o pai junto, a cantora Cláudia Leite, por sua simplicidade,e Ivete Sangalo, pelo carinho e atenção com ele e com o público. Tomich diz que a receita para sua convivência com estes artistas é tratá-los de igual para igual. “Não me afeto com estrelismo” afirma o colunista. “Levo a Cláudia para fazer compras sem me preocupar que ela é a famosa Cláudia Leite, e isso faz com que o artísta se sinta à vontade comigo” completa. Bem resolvido em todos os aspectos Sem filhos e solteiro, Tomich hoje vive sozinho em Framingham (MA). Sofrendo de obesidade mórbida há vários anos, ele tentou, sem sucesso, uma cirurgia de redução de estômago em 2001. Com o avanço da medicina ele tentou novamente fazer a cirurgia recentemente, mas problemas de coração e pressão o impediram de operar. Debilitado fisicamente, ele não perde a companhia do bom humor, e nem do copo. “Tô nem aí” é uma frase dita com frequência por Tomich, e que longe de representar o descaso pela vida, mostra que ele compreende e aceita sua situação. O mesmo acontece com ele no que diz respeito à Deus, que ele considera como um amigo não muito próximo, os dois se conhecem mas não convivem muito, mais uma posição que mostra os assuntos bem resolvidos de Tomich. No quesito família, Tomich também é definitivo e segundo ele mesmo afirmou: “Tenho uma família sensacional e da qual gosto muito. Me relaciono muito bem com minha mãe e com meus irmãos”, completa Tomich. Aposentado pelo governo dos EUA, Tomich passa a impressão de que está com os principais pontos de sua vida bem resolvidos, e que viveu 50 anos muito bem vividos. Palmas pra ele.

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