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Família confirma morte de professora nos EUA

Nájila da Cunha Salem

Parentes da professora de inglês Najila de Cunha Salem, de 42 anos, confirmaram na sexta-feira, a morte dela nos Estados Unidos. A informação foi passada à família, durante a madrugada de sexta-feira, por um farmacêutico de Minas Gerais que estava no grupo que entrou clandestinamente no país. Ele telefonou para os familiares de Najila, em Volta Redonda, e contou detalhes do que teria ocorrido com ela.

A professora não dava notícias desde o dia 1º, quando ligou para o namorado brasileiro, que mora em New York, informando que já estava em território americano. Segundo o tio de Najila, Luiz Antônio da Cunha, o homem teria contado que antes de morrer a professora teria fornecido o telefone de um parente que mora em Boston. Ele teria, inclusive, detalhado as roupas que Najila estava vestindo no dia, fato que convenceu a família da veracidade das informações.

– Ele (farmacêutico) explicou que não telefonou antes confirmado a morte de Najila porque está com muito medo, já que também está ilegal naquele país. Segundo ele, minha sobrinha não aguentou caminhar vários dias pelo deserto e teria morrido de exaustão ou hipotermia, já que ela morreu de madrugada e estava muito gelada. O grupo era formado por 11 pessoas, além dos coiotes – disse Luiz Antônio, informando que o homem teria dito que Najila morreu por volta de 1 hora da madrugada do dia 3, e que a temperatura estimada por ele na ocasião era de 10º Celsius.

– A testemunha disse que tentou reanimar minha sobrinha, fez tudo o que era possível, mas não conseguiu. Pediu desculpas porque o corpo foi abandonado, mas os coiotes diziam que se todos não continuassem, também iriam morrer – afirmou Luiz Antônio.

De acordo com a testemunha, o grupo passou 63 dias juntos no México, antes de conseguirem entrar nos Estados Unidos. Quando morreu, Najila já havia percorrido mais da metade do caminho até San Antonio, no Texas, onde pretendia pegar um ônibus com destino a Houston, no mesmo estado.

Segundo o tio de Najila, o farmacêutico contou ainda que coiotes teriam ficado com os U$ 1,5 mil que a professora levava. O passaporte dela teria sido deixado junto ao corpo, na divisa entre San Antonio e Novo Laredo.

Agora, a família quer localizar o corpo de Najila e já entrou em contato com o Itamaraty e a Interpol, contando as informações que recebeu da testemunha. Já o filho de Najila, de 12 anos, está na casa de uma prima dela em Boston. Os parentes estão providenciando junto às justiças brasileira e americana o retorno do adolescente ao Brasil. O menino, fruto de um relacionamento anterior da professora com outro brasileiro, possui dupla cidadania por ter nascido nos Estados Unidos. Na época Najila vivia no país ilegalmente.
Enganados
O farmacêutico teria contado ainda que o grupo foi enganado pelos atravessadores, já que eles teriam pago para atravessarem o deserto de carro, o que não aconteceu. Segundo a testemunha, os coiotes teriam se desentendido e disseram que todos teriam que ir a pé.
– Eles falaram que eram apenas duas horas de caminhada, mas, na verdade, são 20 horas. Najila morreu cerca de 12 horas depois de iniciada a travessia do deserto. Ela não tinha estrutura para aguentar a chuva e o frio – lamentou o tio da professora.
Ainda segundo informações do farmacêutico, das 11 pessoas que formavam o grupo, cinco se entregaram a uma patrulha na fronteira e o restante conseguiu ir adiante.

Fonte: Diário do Vale, Volta Redonda – RJ
Autor: Dicler de Mello e Souza
Foto: reprodução Facebook

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