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Estudo mostra que 120 milhões de crianças e adolescentes estão fora da escola

O relatório Corrigindo a Promessa Quebrada da Educação para Todos, recém-lançado pelo  Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mostra que 121 milhões de crianças e adolescentes em todo o mundo não frequentam a escola.

O estudo é da Iniciativa Global sobre Crianças Fora da Escola, um projeto lançado em 2010 pelo Unicef e pelo Instituto de Estatística da Unesco, para auxiliar os participantes no desenvolvimento de estratégias baseadas em dados que possibilitem a diminuição do número de crianças e adolescentes fora da escola.

De acordo com o documento, apesar dos progressos registados na inscrição de crianças no ensino básico de todo o mundo há 58 milhões de crianças entre 6 e 11 anos que não frequentam a escola. Se a tendência atual continuar, duas crianças em cada cinco – 15 milhões de moças e 10 milhões de rapazes – dificilmente entrarão numa sala de aula, informa o relatório.

Dessas crianças, 23% já frequentaram a escola mas a abandonaram, 34% poderão entrar na escola futuramente e 43% provavelmente nunca terão essa experiência.

No ciclo de ensino seguinte, entre os 12 e 14 anos, há 63 milhões de adolescentes fora da escola – 5 milhões a mais do que no ensino básico, apesar de as crianças em idade para frequentar o ensino básico (650 milhões) serem quase duas vezes mais do que as que estão em idade de frequentar o ciclo de ensino seguinte (374 milhões).

Embora o acesso à educação tenha aumentado consideravelmente no início do milênio, esse progresso estagnou em 2007 com 9% das crianças no ensino básico (6 a 11 anos) e 18% no ciclo de ensino seguinte (12 a 14 anos) fora da escola.

De acordo com o relatório, as regiões com maior percentagem de crianças e adolescentes fora da escola são a África Ocidental e Central – 27% de crianças e 40% de adolescentes, respectivamente –, a África Oriental e do Sul – 15% e 27% – e o Sul da Ásia – 6% e 26% das crianças e adolescentes. As razões para a ausência da escola são variadas, complexas e estão muitas vezes interligadas, com o documento identificando cinco grandes obstáculos à educação para todos: situações de conflito, discriminação de gênero, trabalho infantil, dificuldades linguísticas e deficiência. Qualquer desses obstáculos se torna mais difícil de superar quando associado à pobreza.

Um exemplo característico é o da criança que tem de trabalhar para ganhar dinheiro para casa, contrariando a esperança da própria família de lhe proporcionar educação, pois esta, geralmente, custa dinheiro que a família não possui. No relatório é destacado que remover os custos diretos e indiretos associados à educação é a forma mais eficaz de combater o trabalho infantil. O Unicef ressalta que atrair crianças nessa situação para a sala de aula e mantê-las na escola exige ambientes de aprendizagem melhorados e sistemas educativos mais flexíveis e reativos.

Outro aspecto apontado é o fato de as crianças de países afetados por conflitos representarem 20% do total em idade escolar e, simultaneamente, 50% do total mundial de crianças fora da escola.

Publicado com as devidas autorizações da Agência Brasil/EBC
Foto da capa: Valter Campanato/Agência Brasil

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