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4 de julho – a origem e as razões da data

Bandeira USA

Neste sábado, 4, os Estados Unidos comemoram a sua data mais importante – The Independence Day com festividades, celebrações e cerimônias em todo o território americano. Conheça um pouco da história em como se originou e como foi proclamada a independência, lembrando que tudo começou bem pertinho de nós – no porto de Boston.
Desde a rebelião generalizada que ocorreu a partir do porto de Boston em 1775, centro do descontentamento dos colonos americanos contra as medidas de tirania tributária adotada pela Coroa inglesa, os representantes dos 13 estados-colônias planejavam a redação de algum documento que desse respaldo a rejeição deles em submeter-se à metrópole. Eles desejavam – como afirmou Jefferson em carta a Henry Lee, em 1825, muito depois do episódio ter ocorrido -, justificar-se “perante o tribunal do mundo”. Não queriam aparecer aos olhos da Europa como um bando de arruaceiros lá do outro lado do Atlântico amotinados contra o rei. Para eles tratava-se de uma coisa maior: por em prática uma série de teorias que incendiavam a imaginação dos burgueses e dos homens livres em geral, em se ver libertos da tirania das monarquia e dos anacronismos feudais – do lixo jurídico medieval – e de toda uma gama de regulamentos discriminatórios que hierarquizavam e perpetuavam as enormes desigualdades sociais. 
Desde o final da Guerra dos Sete Anos (1756-1763), um cenário de crescente enfrentamento pairava sobre as colônias inglesas da América. De um lado os agentes da metrópole querendo aumentar as cargas aduaneiras e fixar mais impostos, do outro, os colonos indignados por serem considerados como súditos de segunda categorias, pois nenhum dos tributos exigidos contavam com a aquiescência deles. Daí seu grito “sem representação não há taxação”. Se eles não podiam enviar deputados para o Parlamento em Londres, os funcionários da Coroa não podiam inventar uma taxa atrás da outra para extorqui-los.

Repressão e resistência
O princípio do desentendimento entre americanos e ingleses dera-se onze anos antes da Declaração, por ocasião do Stamp Act (a Lei do Selo) de 1765, que obrigava todo o papel que circulasse nas 13 colônias ser selado com um timbre da Coroa. Em repúdio a essa lei, fundou-se a associação secreta dos Sons of Liberty, os Filhos da Liberdade, formada por mercadores, advogados, jornalistas e artesãos para opor-se a Lei do Selo, transformando-se gradativamente numa entidade que iria congregar o espírito de resistência das colônias americanas. A resistência foi acompanhada por uma política de boicote às mercadorias inglesas que causou um prejuízo ao comércio metropolitano avaliado em 7,3 milhões de libras, enquanto a Lei do Selo contribuiu apenas com 3,5 mil libras para os cofres do rei. 
Eles é quem estavam por trás da manifestação de protesto contra a Lei do Chá (Townshend act), ocorrida em Boston em 13 de dezembro de 1773, que culminou com os colonos disfarçados de índios invadindo os barcos da Companhia inglesa das Índias ancorados no porto, jogando todos os fardos de chá no mar (no episódio jocosamente chamado The Boston Tea Party, a Festa do Chá de Boston). Também militavam naquela organização de patriotas, Samuel Adams e John Hancock, dois dos foragidos procurados pelas autoridades inglesas cuja decretação de prisão por sedição deflagrou os violentos tiroteios entre os pelotões ingleses e os “Minute Men”, as milícias dos colonos, nos lugarejos de Lexington e Concord, no Massachusetts, em abril de 1775. Gravíssimo incidente que matou 273 soldados britânicos e 93 colonos, e que serviu como faísca para o rastilho da Revolução Americana de 1776. Apesar de algumas tentativa conciliatórias, a insurreição tomou corpo e ninguém mais pôde detê-la. Rejeitando a submissão, aos colonos só lhes restou pegar suas espadas.

O grande redator
Se os incidente de Lexington foram os sinais mais estrondosos para a insurgência geral das 13 colônias, o mundo das idéias foi sacudido a partir de 10 de janeiro de 1776 por um panfleto de 47 páginas redigido por Thomas Paine, chamado Common Sense, O Senso Comum, no qual ele advogava abertamente a separação completa da Grã-Bretanha. Nada mais unia os colonos à metrópole depois que o sangue fora derramado. Nenhuma razão plausível podia justificar a submissão dos homens livres da América a um tirano que recebera sua coroa por herança. E ainda mais, como lembrou Paine, era um contra-senso que uma ilha (a Inglaterra) dominasse um continente (a América). Foi com este pano de fundo, entre os clarões das explosões e dos tiros e as incendiárias palavras de Paine (o panfleto teve um tiragem de 120 mil exemplares), que os delegados coloniais reunidos no IIº Congresso Continental encarregaram Thomas Jefferson de redigir um declaração.

A aprovação
Aprontada a sua redação, o documento (dividido em cinco partes: introdução, preâmbulo, corpo do texto, subdividido em duas seções, e a conclusão) foi discutido durante dois intensíssimos dias, cabendo a John Adams, um eloqüente polemista, defende-lo perante o Congresso. Sentando ao lado de Jefferson naquele momento de tensão estava Benjamin Franklin, o patriarca da Independência que, para acalmá-lo, contava-lhe uma das suas saborosas histórias do seu tempo de tipógrafo. Talvez viesse à lembrança de Jefferson-lhe aquela passagem de Shakespeare que dizia: “E agora, ei-lo que se encarrega de reformar certos éditos e algumas leis rigorosas, que pesavam excessivamente sobre a comunidade”. 
A aprovação final do documento contou a ajuda de uma inesperada invasão de moscas, pois era julho, mês do alto verão americano, e elas atacaram com sofreguidão as pernas dos delegados. Encerrado o debate com seis acréscimos, dezoito supressões e dez alterações, a redação final foi sancionada na tarde daquele mesmo dia, o 4 de julho. Numa cerimônia simbólica, Jefferson, acompanhado de mais quatro integrantes da comissão de redação (Benjamin Franklin da Pensilvânia, John Adams de Massachusetts, Roger Sherman de Connecticut, e Robert Livingston de New York), entregou formalmente o documento a John Hancock, o presidente do Congresso Continental. Em seguida, seguiram-se as assinaturas dos presentes. Ao todo 56 deles assinaram a Declaração de Independência, cabendo a John Hancock a honra de ser o primeiro a fazê-lo. No dia seguinte, no 5 de julho, deram o pergaminho a John Dunlop responsável pelas publicações do Congresso, para que ele o copiasse e a imprimisse, remetendo-a com a máxima urgência para as capitais das colônias rebeladas e para os acampamentos do Exército Continental, que já estava travando combates com os ingleses. George Washington, o comandante supremo, recebeu o seu exemplar em New York. Acredita-se que foram feitas umas 500 cópias dela. De tantas, dois séculos depois, só restaram 25, sendo que apenas 4 encontram-se em mãos privadas.

Imagem meramente ilustrativa

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